sexta-feira, 25 de abril de 2008
25 de Abril
Contrariamente às críticas dominantes, incluindo as do Presidente Silva, não interpreto de forma tão negativa a ignorância do Povo em relação ao 25 de Abril. No fundo é um sintoma do seu sucesso. A liberdade e a democracia passaram a ser tão normais que é remota a recordação da sua ausência. As pessoas não precisam de se preocupar com os perigos da perda dessas conquistas porque elas estão definitivamente inscritas na sociedade. As preocupações dos portugueses são outras e são comuns à maior parte das sociedades europeias: o desemprego, a inflação, a precaridade, a criminalidade, a pobreza, a demissão do Estado das suas funções sociais. E para resolver esses verdadeiros problemas da chamada "democracia real" seriam necessários (1) uma classe dirigente de outro gabarito e (2) (talvez) outro Povo. Sem me demorar sobre o segundo ponto - obviamente discutível e, a provar-se a sua pertinência, de qualquer modo, irresolúvel - sobre o primeiro ponto os indícios são, no mínimo, preocupantes. Senão vejamos. Os políticos dizem que é necessário renovar a respectiva "classe", atraindo novos valores e, em especial, os jovens. Mas, isso é só paleio, porque, na prática, as barreiras à entrada são mais do que muitas. Continuam a ser os protegidos, fiéis e afilhados a aceder à "carreira". Os outros, menos bem nascidos ou lambedores menos eficazes de reais ou putativas importâncias estabelecidas, ficam de fora, independentemente do seu valor intrínseco. Depois, o espectáculo de gula, ambição e provincianismo a que assistimos nos partidos principais é simplesmente deplorável e não encoraja pessoas sérias a entrar no regabofe. Depois, ainda, notícias como:
"O ex-presidente do PSD Pedro Santana Lopes terminou o seu discurso perante o Conselho Nacional do partido, que decorre esta noite, afirmando-se "mais uma vez disponível para o combate". Pouco antes destas palavras, Alberto João Jardim, presidente do PSD Madeira, tinha manifestado o seu apoio a uma eventual candidatura do antigo primeiro-ministro à liderança do partido."
ou
"Assim vai o Ocidente, envolvido nas suas contradições e fragilidades, a caminho de uma decadência económica e política anunciada." dixit Mário Soares no auge do seu incontornável deslize geriátrico (com o devido respeito pelos anciãos)...
desanimam o mais voluntarioso dos cidadãos.
"O ex-presidente do PSD Pedro Santana Lopes terminou o seu discurso perante o Conselho Nacional do partido, que decorre esta noite, afirmando-se "mais uma vez disponível para o combate". Pouco antes destas palavras, Alberto João Jardim, presidente do PSD Madeira, tinha manifestado o seu apoio a uma eventual candidatura do antigo primeiro-ministro à liderança do partido."
ou
"Assim vai o Ocidente, envolvido nas suas contradições e fragilidades, a caminho de uma decadência económica e política anunciada." dixit Mário Soares no auge do seu incontornável deslize geriátrico (com o devido respeito pelos anciãos)...
desanimam o mais voluntarioso dos cidadãos.
terça-feira, 22 de abril de 2008
domingo, 20 de abril de 2008
PS/PSD
Gostei de ouvir M. Rebelo de Sousa hoje na RTP 1. A sua análise do PSD é lúcida e acutilante. Ser mais claro, como analista, sendo ao mesmo tempo parte interessada na disputa em curso seria difícil. Mas, também se poderia dizer que a sua esperteza é tal que mistura ardilosamente os dois estatutos para ganhar pessoalmente em ambos... A impressão que sai das suas palavras é que o PSD não é um partido - é um autêntico vespeiro, ninho de víboras, ringue de pugilato de facções e interesses inconciliáveis, lideradas por caciques que, num momento ou noutro, tiveram acesso ao poder partidário e/ou estatal. Ali o que está em causa são puras ambições pessoais. Quanto a ideias... nem sombra delas. E é esse o ponto que continuará a ensombrar o partido e a não fazer dele oposição credível.
Outra pessoa da mesma àrea e, como M. Rebelo de Sousa, frontal, porque não precisa da política para prosperar, que se pronunciou ácidamente sobre o PSD este fim de semana foi J. M. Júdice. Tem toda a razão em propalar a ideia, heterodoxa mas absolutamente pertinente, de fusão entre o PS e o PSD, dada a convergência de projectos políticos em torno do credo liberal. Outros poderão ser mais contidos na referência e falar em Bloco Central. Isso, aliás, corrobora a ideia do PCP de que, por detrás da crise do PSD, está fundamentalmente uma ausência de propostas alternativas ao PS, porque este último não faz outra coisa senão realizar, talvez com mais eficácia, as políticas de direita.
Uma liderança vitoriosa do PSD significa carisma e ideias diferentes das do PS. Não será fácil dada a luta de capoeira do PSD e a perseverança do PS em fazer as políticas do PSD.
Outra pessoa da mesma àrea e, como M. Rebelo de Sousa, frontal, porque não precisa da política para prosperar, que se pronunciou ácidamente sobre o PSD este fim de semana foi J. M. Júdice. Tem toda a razão em propalar a ideia, heterodoxa mas absolutamente pertinente, de fusão entre o PS e o PSD, dada a convergência de projectos políticos em torno do credo liberal. Outros poderão ser mais contidos na referência e falar em Bloco Central. Isso, aliás, corrobora a ideia do PCP de que, por detrás da crise do PSD, está fundamentalmente uma ausência de propostas alternativas ao PS, porque este último não faz outra coisa senão realizar, talvez com mais eficácia, as políticas de direita.
Uma liderança vitoriosa do PSD significa carisma e ideias diferentes das do PS. Não será fácil dada a luta de capoeira do PSD e a perseverança do PS em fazer as políticas do PSD.
Público/privado
Um dos mecanismos, subtis e perversos, que o Estado tem ao seu dispor para favorecer o sector privado consiste em nomear gestores públicos incompetentes. Imagine-se a satisfação dos negociadores privados de contratos com o Estado ao encontrar pela frente gente inexperiente ou literalmente impreparada a defender os interesses do Estado... Ora este é um dos efeitos da politização excessiva da administração pública. A um certo nível da dita administração, o critério de escolha das pessoas deve ser técnico em lugar da confiança política. A existência de um corpo de profissionais que sobreviva ao ciclo político, por vezes formados em escolas especiais (como a ENA em França) é essencial para assegurar competência e rigor na execução das decisões políticas. A não ser assim, o Estado sofre de instabilidade e de vulnerabilidade face ao assalto dos interesses privados, gerando-se uma distribuição de recursos contrária à pretendida pelas decisões de política económica.
sexta-feira, 18 de abril de 2008
Era uma vez
E lá foi o menino Menezes, devorado pelos amigos da onça, seguramente vítima de uma cabala elitista e sulista, de muita intriga e de conspirações impiedosas. Agora volta para Gaia onde pode continuar a espalhar o seu charme e a mandar umas bocas que não acrescentam grande coisa (para além de lhe fazer inchar o ego de D. Juan falhado da política). Talvez seja melhor assim, para o Partido e para o país que precisa de uma verdadeira Oposição. Também à direita. De qualquer maneira, pela razão invocada pelo PCP¨("o PSD sofre da prática de políticas de direita pelo PS"), a tarefa de um líder do PSD, seja ele ou ela quem for, não é fácil... É pena tudo isto porque a colonização do país pelas diferentes corporações do PS é absolutamente incrível. E a situação pode eternizar-se por falta de alternativas. Ou então, na sequência de eleições sem maioria absoluta daqui a 1 ano, far-se-á um imenso bloco central de interesses insaciáveis, cuja engorda será directamente proporcional ao emagrecimento da grande maioria do país.
Empreendimentos cheios de virtude
Clicar no título para descobrir um monumento à livre iniciativa, à concorrência, ao dinamismo empresarial, à cooperação entre países ricos e países pobres, à inovação. Empresas assim só podem prosperar porque são baseadas em ideias genuinamente arrojadas que criam riqueza e fazem avançar os respectivos países e que demonstram o que pode fazer o liberalismo económico. Bem hajam e que paguem impostos...
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