domingo, 20 de abril de 2008

PS/PSD

Gostei de ouvir M. Rebelo de Sousa hoje na RTP 1. A sua análise do PSD é lúcida e acutilante. Ser mais claro, como analista, sendo ao mesmo tempo parte interessada na disputa em curso seria difícil. Mas, também se poderia dizer que a sua esperteza é tal que mistura ardilosamente os dois estatutos para ganhar pessoalmente em ambos... A impressão que sai das suas palavras é que o PSD não é um partido - é um autêntico vespeiro, ninho de víboras, ringue de pugilato de facções e interesses inconciliáveis, lideradas por caciques que, num momento ou noutro, tiveram acesso ao poder partidário e/ou estatal. Ali o que está em causa são puras ambições pessoais. Quanto a ideias... nem sombra delas. E é esse o ponto que continuará a ensombrar o partido e a não fazer dele oposição credível.

Outra pessoa da mesma àrea e, como M. Rebelo de Sousa, frontal, porque não precisa da política para prosperar, que se pronunciou ácidamente sobre o PSD este fim de semana foi J. M. Júdice. Tem toda a razão em propalar a ideia, heterodoxa mas absolutamente pertinente, de fusão entre o PS e o PSD, dada a convergência de projectos políticos em torno do credo liberal. Outros poderão ser mais contidos na referência e falar em Bloco Central. Isso, aliás, corrobora a ideia do PCP de que, por detrás da crise do PSD, está fundamentalmente uma ausência de propostas alternativas ao PS, porque este último não faz outra coisa senão realizar, talvez com mais eficácia, as políticas de direita.

Uma liderança vitoriosa do PSD significa carisma e ideias diferentes das do PS. Não será fácil dada a luta de capoeira do PSD e a perseverança do PS em fazer as políticas do PSD.

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