sexta-feira, 16 de maio de 2008

Abençoado país

Isto vai ficar pior.

O crescimento abranda por causa da crise internacional, o desemprego é o principal problema social, não há margem de manobra para baixar os impostos nem para conter a despesa porque o défice continua nuns elevadíssimos 2.6%. Mas, as grandes empresas continuam a ganhar rios de dinheiro, os bancos, apesar da crise sub-prime, continuam a prosperar e a afirmar-se como centros de excelência. Ali se terão concentrado os maiores crâneos deste país, ali se encontra uma "indústria" competitiva, ao nível do que de melhor existe à escala mundial. E as educadoras de infância fazem uma manifestação em Fátima contra os cortes nas despesas sociais que as atiram para o desemprego e que deixam os pais desamparados com os filhos ao deus dará. Pais que pertencem ao grupo dos privilegiados que têm emprego porque, senão, teriam tempo de sobejo para cuidar dos filhos com a carteira vazia dos subsídios de desemprego (enquanto duram). Mas, essas são actividades de sopeira que não chegam nem aos calcanhares dos vencedores do sistema que ganham à tripa forra em bancos, escritórios de advogados e firmas de consultores de projectos faraónicos que fazem as delícias dessa malta e das grandes empresas de construção cívil que não cessam de fazer "lobbying" para demonstrar o seu inestimável contributo para o emprego e para o desenvolvimento do país. E o primeiro-ministro dá abraços a Chavez para lhe caçar umas quantas concessões de petróleo em troca de alimentos. Mas, quais alimentos? Eu julgava que eramos dependentes dessa coisa cada vez mais cara. Afinal, não senhor: pagamos o ouro negro com alimentos... E o primeiro-ministro - coitado - nem se pode relaxar a fumar uma cigarrada num vôo de longo curso que logo as más linguas se exaltam a chamar-lhe fora-da-lei. E o homem, paradigmático cidadão respeitoso das leis por ele próprio inspiradas, não está com meias medidas: não só pede humildemente desculpas como, de uma assentada, decide deixar de fumar, o que não está nada mal para um conhecido amante de "jogging". De repente, o petróleo e as relações com a Venezuela, país onde labutam bravos lusitanos, são eclipsados por uma fumarada inoportuna.

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