segunda-feira, 19 de maio de 2008

Dos antropofágicos do PSD ao posto dos Correios do Soito

A "vaga de fundo" em torno de Ferreira Leite não está a acontecer, mas ela diz não atirar a toalha ao chão às primeiras criticas... nem a nenhuma crítica. Valente mulher. Assim é que é falar. E viva o estrabismo (sem ofensa) que lhe dá outro charme. O Santana diz que poucos fariam melhor do que ele se tivessem sido primeiro-ministro nas mesmas circunstâncias, logo depois de Durão Barroso que se pirou para Bruxelas e com o Sampaio à perna, esganado para dar o poder ao PS. E o outro rapazinho sem experiência (não me lembro do nome) diz que prefere assim do que cometer as enormidades do Santana da brilhantina e das discotecas de Alcântara.

O Presidente Silva, de resto do mesmo partido dos supra-citados, diz que os Portugueses não devem desistir nem resignar-se. Mas, quantas vezes é que o homem já disse a mesma coisa desde que tomou posse? Os portugueses são algum bando de masoquistas? Cumprir a Nação é alguma maratona ou prova de obstáculos? Será que temos de ser todos Vanessas Fernandes do quotidiano ou quê? Será que há alguma maldição que nos persegue à qual devemos resistir, resistir heróicamente? Estamos condenados a sofrer, a sofrer sempre para construir um futuro de prosperidade que nunca chega? Obstinadamente?

As gentes do Soito, concelho de Sabugal, distrito da Guarda, fizeram uma manifestação tenrinha para defender o posto dos Correios deles. Certamente a primeira manifestação na aldeia do Soito, porque essas coisas são próprias das cidades, das pessoas que sabem fazer voz grossa. Então porque é que foi feita essa manifestação no Soito? Porque o posto dos Correios é um dos poucos sinais que restam de protecção de um Estado bastardo, que se tem limitado a gerir a pobreza e o envelhecimento daquelas paragens, durante gerações. Lembro-me de uma viagem no Sud Express entre Paris e Coimbra, princípio dos anos 80, tendo por companheiro de "couchette" um velhote que passou todo o tempo a mamar numa garrafa de aguardante lá da terra, que cantarolava coisas indecifráveis, e que desceu da carruagem (finalmente...) no Soito, com a embriaguês nos olhos e a alegria no coração.

O posto dos Correios é uma das poucas coisas que facilita a vida ao povo do Soito, para mandar e receber notícias, para estar ao paleio com os funcionários e com os conterrâneos, em vez de ir à taberna. Para pagar os impostos. Porra! Até para tornar mais fácil o pagamento dos impostos que entram nos cofres desse Estado que sempre os abandonou. Eu sou pelos Correios do Soito. É uma da causas mais nobres destes dias, neste país. Assinarei todos os abaixo-assinados a favor dos Correios do Soito!

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