terça-feira, 20 de maio de 2008
Leia-se (ou releia-se) Louis Althusser
O problema é que nem o bolo cresce, nem o bolo é melhor distribuido. E, portanto, as desigualdades aumentam, a pobreza propaga-se, os remediados sentem-se ameaçados. A classe média teme descer na escala social, fica atormentada, agarra-se desesperadamente aos últimos sinais de abundância. A crédito! A sociedade parece-se cada vez mais com uma matilha de feras que se degladiam entre si à falta de inimigo comum. Quase diria: ainda bem que não há um inimigo comum como os judeus ou os pretos ou os ciganos... Senão, teriamos "ensaios sobre a cegueira"... como aconteceu tristemente na história recente. E os privilegiados, vencedores do sistema alheiam-se perigosamente do pantâno que os sustenta, esquecem-se de que a ultrapassagem de um certo limiar de mal-estar, na parte de baixo da pirâmide, pode fazer desmoronar o edifício de que são o tecto. As elites inteligentes sabem distribuir as migalhas que mantêm o povo entretido, sem olhar excessivamente para os abusos da parte de cima do sistema. As elites inteligentes ostentam desprendimento, gozam com uma gestão aparentemente desinteressada dos interesses divergentes. Assim criam a cortina por detrás da qual escondem os seus verdadeiros propósitos de defender os interesses vitais dos dominadores.
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário