quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Vícios e virtudes públicos
Na sua ânsia de eficiência (eufemismo para defender interesses privados mais ou menos suspeitos ou inconfessáveis) o Estado embarca na ficção das parcerias público-privado (PPP) que não são outra coisa do que imensos labirintos onde se perde o erário público para grande gáudio de consultores e banqueiros de todas as estirpes e nacionalidades. E não há quem desmantele o logro sem cair na crítica de que a maneira tradicional de fazer obras públicas leva a desperdício, atrasos, incúria e burocracia. O que é necessário é aumentar a eficiência do Estado para não ter de ser refém da putativa e proverbial eficiência privada. Eficiência do Estado seria uma contradição nos próprios termos para os fundamentalistas do neo-liberalismo. Não penso que assim seja. Racionalizar o Estado é uma das medidas mais nobres de política orçamental. Mas, isso não significa subjugar o sector público à racionalidade privada da performance desbragada, da competitividade cega, da poupança do tostão sem olhar ao milhão. Transformar o Estado numa constelação de centros de lucro é um anacronismo e uma regressão. Medir uma utilização correcta dos recursos de todos não tem nada de neo-capitalista ou perverso. Estimular as pessoas que trabalham para o Estado a trabalhar mais e melhor a troco de adequadas recompensas materiais ou imateriais não tem nada de anómalo ou heterodoxo.
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário